quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Aquele sorriso


Sabe aquelas pessoas que só de voltarem seus olhares na sua direção mudam seu centro de gravidade? Às vezes elas nem precisam estar por perto, ou melhor, basta vazar a informação que elas existem, pra abalar uma estrutura.

E quando você sente falta do beijo que nunca deu, da pessoa que nunca viu, do lugar que nunca foi, de um sentimento não catalogado, numa fase que até a lua desconhece?


E aquele sorriso inédito?! Queria tanto aquele sorriso vindo na minha direção. Só pra mim.

Seria uma espécie de lanterna pra iluminar meus caminhos, acender minha direção. Seria meu GPS, só que, ao invés de uma voz, se comunicaria por batimentos cardíacos, por pulsação ou transpiração. Apesar de que transpiração, neste caso, significaria baba...mas daria também.


Fim

domingo, 13 de dezembro de 2009

Melhor mal acompanhado do que só?


Tecnicamente a solidão é uma sensação de vazio e isolamento, mas na prática é a melhor companheira pras horas de perrengue. É sério. Quando você esta numa pior quem sempre fica do seu lado incondicionalmente? Quem te aceita do jeito que você é, sem cobrança, censura ou julgamento? Seu peguete?! Sua terapeuta?!


Mas o que me corta o coração é a injustiça com que a solidão é tratada. Assim que a situação melhora, ela é trocada pela primeira balada, pelo primeiro sorriso amarelo, pelo primeiro sexo barato (mesmo ficando claro que tem tudo pra ser de mentirinha).


Mas ela é ponta firme, e na próxima turbulência um barquinho de borracha, simples, mas limpinho, estará ao seu lado, pronto pra te levar para o primeiro monte de terra cercado por água de todos os lados. E ela vai embora sorrindo, mas com o espaço reservado para obrigado, mais uma vez, vazio.


Fim

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Stand Up dos ciumentos

Eu acho que o ciúme é herança de um dispositivo legal conhecido como “usucapião”, aonde as pessoas chegam de mansinho, se instalam num imóvel qualquer e, só por isso, se intitulam donos do barraco. Tipo: “Se usei é meu”. Simples assim.

Imaginem a cena: uma fila enorme onde os parceiros seguem, lado a lado, em direção a uma cabine onde vão passar por um processo inverso ao que separam os gêmeos siameses, mas com o mesmo destino: só um sobreviverá. “Não ri não que o negócio é serio”.

Vai dizer que você nunca teve que responder no que estava pensando pra "sua dona"? Pois é, monitoramento de pensamento na cara dura. E não responde que você estava pensando nela pra você ver o monólogo que, automaticamente, se inicia.


Quem tem ciúme é como japonês: tem um gene tão forte que pode se relacionar com o Dalai lama que o seu estresse vai prevalecer. Imaginem a cena: - “Dalai, de quem é esta saia no seu armário? Que gente toda é essa na sua comunidade do Orkut? Você pensa que não vi o jeito que a Oprah te olhou?!”


O ciúme é um desvio de comportamento tão antigo que ninguém me tira da cabeça que os dinossauros chegaram à extinção por causa de alguma dinossaura de signo de fogo no meio de uma crise de ciúme.


Que medo.


Fui.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Eu sou muito mau



Por sua causa tudo que é mau tem um espacinho dentro de mim:
Sinto inveja do lençol que fica intermediando o seu sufocante e intenso relacionamento com o edredom, enquanto rouba a primeira camada do hidratante que, inocentemente, repousa sobre a sua pele.
Eu morro de ciúmes da sua meia que passa o dia inteiro bolinando o maravilhoso pezinho, que aguenta tudo em silêncio e, por ser fino e elegante, jamais desce do salto.
Eu fico irado quando você insiste em querer economizar pílulas de amor. Avareza não, isso não habita em mim.

Você ainda faz com que a luxuria e a preguiça andem de mãos dadas com meus neurônios.
Se eu for pro inferno você me paga.
Fim

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Eu nem queria


Todo dia pela manhã Eduardo sentia contrações involuntárias dos músculos peitorais. Era uma espécie de curto circuito gerado por descargas elétricas desordenadas dos neurônios. Resumindo: ele acordava com o peito tremendo. Mas isso poderia não ser nada demais, só que ele passava o dia inteiro nesse frenesi.


Falando assim até parece uma bobeira, só que isso acabou causando problemas em todos os campos da sua vida:


Trabalho: Ele foi mandado embora de uma multinacional, onde tinha um plano de carreira, por que seu chefe achou que ele desdenhasse de suas ordens quando ficava dando com os ombros durante as reuniões.


Amor: A mulherada achava que ele era um sem noção que ficava esfregando o peitoral em qualquer rabo de saia. Ele tentava argumentar, mas era taxado como galinha retardado. E o coitado não pegava ninguém. Ele tentou arrumar namoradas em chats pela internet, mas quando falava do seu probleminha a mulherada achava que era vírus. Uma vez ele contratou uma prostituta e deslocou a retina dela como uma ombrada (não deu certo, né?!).


Saúde: Nesse campo até que as coisas estavam boas. A atividade física com regularidade era sua única aliada. Ele foi a vários especialistas que disseram que isso era normal e que passaria logo. Só que não passava.


A cura na religião: A situação ficou tão incontrolável que ele procurou um terreiro de umbanda. Assim que ele entrou, seu balagandã foi se acalmando, se acalmando até que ele recebesse uma entidade intitulada Mãe Ilê Oshum de alabaiê. Hoje ele trabalha para políticos influentes de Brasília e é desejado por muitas pomba gíras, mas encontrou sua felicidade mesmo na sua criação de galinhas.


Fim.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Amor VS Humor


Com este negócio de “dor de amor” não se brinca, certo?! Errado. A palavra de ordem agora é subversão.
Toda vez que a gente notar que o coração esta tentando fazer com que a gente sofra vamos debochar dele. Vamos fazê-lo se sentir deixado de lado, preterido, pra ver como ele se comporta. Por exemplo:
Vamos supor que você tenha comprado um lindo buquê de rosas vermelhas pra dar pra aquela garota que tem controlado seu cérebro, passando a impressão que tem um hacker na sua cabeça, e ela simplesmente diz que não gosta de rosas e da risada da sua cara que, imediatamente, adquire a mesma coloração da planta. Nem pense duas vezes: diga que você é pan sexual e precisa da natureza pra sentir algum prazer (tipo: só assim sinto).
Imagina que você chegou ao ponto de alugar um equipamento de som e instalar no seu carro pra fazer aquelas declarações de amor que acordam a vizinhança. A motivação do mico sai pela janela, olha aquilo tudo e acha ridículo. O que fazer? Liga o carro e sai gritando: “pamonhas de Piracicaba, pamonhas quentinhas, do mais puro milho...”
Digamos que você tenha comprado uma lingerie nova, toda diferente pra fazer aquela surpresa pro seu gato. Você prepara aquele jantar, coloca o absinto no rechaud, gel pra massagem e tal. Na hora que você vai tirar a aquele lingerie de última geração ele se antecipa e abre o feixo com muita intimidade (ou seja, já conhecia o lançamento). Não se estresse, aproveite que ele tem jeito pra estas coisas e o coloque pra consertar seus acessórios e bolsas que estão com problema.
Não dê moleza pros problemas não, humor neles.
Fim.




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Stand Up do Brasil


Pra começo de conversa o Brasil tem nome de pau, mas traz nas veias a excelência em produção de fumo (e em grande escala). Tanto é que o país atingiu sua auto-suficiência: Hoje produz todo o fumo que leva.


O presidente, que se chama Lula, tem ministros com nomes como Mantega, Mares Guia e Luiz Marinho. Pra Brasília virar uma feira falta só gritar o preço.


Mas não dá pra negar a vocação musical dos nossos governantes: temos como destaque as duplas sertanejas “Dirceu e Genoino” e “Lobão e o Apagão”. Mas temos também trabalhos solo, como o do ex-ministro Gilberto Gil e da multifacetada Dilma, nossa Suzan Boyle, que esta se preparando pra entrar em depressão no ano que vem. E o maior diferencial dos nossos talentos musicais é que eles têm o maior corpo de balé do mundo: 150 milhões de bailarinos.


Não podemos deixar de registar a superação constante dos nossos governantes.

No início eles eram baixos, depois viraram rasteiros, em seguida subterrâneos, até que atingiram o ponto mais baixo: hoje todos são Pré Sal.


Fim.